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Por Yuri Hildebrand* — Dallas, EUA


Os processadores de 12ª geração da Intel já estão no mercado desde outubro de 2021, com diversas opções entre modelos de entrada e versões premium. Como tem sido costume da fabricante, os chips mais recentes ganharam linhas voltadas especificamente para notebooks de alto rendimento, seja para jogos ou para trabalhos de edição mais pesados. O último lançamento aconteceu durante o Intel Vision, evento em Dallas, nos EUA: os novos HX-Series, que prometem superar os componentes H da mesma geração apresentados na CES 2022.

Para entender melhor o salto de performance e também a posição dos processadores de 12ª geração no mercado de tecnologia, o TechTudo conversou com Dan Rogers, engenheiro da Intel por trás da fabricação das CPUs mais recentes da marca. A seguir, confira mais detalhes da entrevista exclusiva.

Intel promete ‘nível de desktop’ em notebooks com novas CPUs de 12ª geração — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

A linha HX foi a principal novidade voltada para consumidores no Intel Vision, que aconteceu entre os dias 10 e 11 de maio em Dallas, nos EUA. Os novos processadores foram representados pelo top de linha Core i9 12900HX, que traz especificações robustas, como 16 núcleos, 24 threads, clock máximo de 5 GHz, além de desbloqueio para overclock.

Segundo Dan, a promessa é de muito mais desempenho nessa linha do que nos chips H-Series da 12ª geração, também focados em notebooks, e revelados durante a CES 2022. Como disse o engenheiro, a ideia é "subir de nível". São três diferenças principais para os modelos da linha H: poder de computação, opções de I/O (conectividade) e suporte a quantidades maiores de memória.

Nesses quesitos, ele destaca a quantidade de núcleos, divididos entre desempenho e eficiência, o multi-thread, e o suporte a tecnologias como Thunderbolt 4.0, PCIe 5.0, Wi-Fi 6E, entre outras. Quanto à RAM, os processadores prometem compatibilidade com até 128 GB, aceitando ainda o padrão DDR5, mais recente.

Processadores Intel da série HX de 12ª geração têm especificações robustas — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

Pegada de desktop

As especificações do novo Core i9 12 900HX chamariam atenção mesmo em desktops, e prometem nivelar o desempenho de notebooks para trabalhos de edição e jogos, por exemplo. Para se ter uma ideia, uma configuração de memória considerada boa para rodar games AAA em modelos gamer é de 16 GB, valor facilmente suportado pelos novos chips. Já em workstations, chama atenção a quantidade de núcleos e threads, que vai permitir uma fluidez maior ao sistema mesmo em tarefas pesadas.

Esses dois tipos de uso, entretanto, vão depender bastante de uma placa de vídeo no sistema, mesmo com a presença de gráficos integrados. Ele afirma que a solução que vem junto ao chip é básica, apesar de entregar algum nível de 3D, mas tem foco maior em processamento de mídias e uso no dia a dia.

"Nós trabalhamos com nossa própria tecnologia, mas também com terceiros, garantindo boa experiência ao usuário, além de bom nível de estabilidade e certificação com nossos parceiros de hardware."

Outro ponto que vai influenciar no desempenho dessas máquinas é o desbloqueio dos chips para overclocking. A prática é bastante comum em desktops poderosos, em que usuários levam o hardware ao limite para conseguir maior performance em jogos e outros tipos de uso.

Além de "forçar" os núcleos, o overclock também pode ser usado na memória RAM, algo que acontece com os chips HX da Intel. De acordo com Dan, o fato de usuários conseguirem usar esse recurso sem precisar de uma configuração adicional, por exemplo, é importante, e a ideia de facilitar a vida dos usuários era uma vontade da empresa.

Dan Rogers, engenheiro da Intel por trás da fabricação das CPUs mais recentes da marca — Foto: Divulgação/Intel

Poderosos, mas portáteis

"Por definição, overclock é um pouco off-road. Ainda assim, nós queríamos oferecer suporte aos usuários que desejam ir ao limite e explorar o máximo de performance. Trazemos diversas ferramentas atualizadas para dar conta do desempenho dessa arquitetura híbrida [dos chips de 12ª geração]. É algo bastante importante para nós."

Apesar do poderio prometido com os novos modelos HX, as plataformas ainda devem focar em pontos importantes para dispositivos portáteis: autonomia e design. Modelos gamer, por exemplo, costumam ter bateria suficiente para poucas horas de jogatina, e, em alguns casos, não chegam a rodar games de maneira ideal quando longe da tomada.

Dan Rogers destacou que essa característica não se dá por acaso, e a produção já considera o uso plugado. Ainda assim, computadores equipados com chips de 12ª geração da Intel teriam certas vantagens nesse sentido, graças a algo que já está presente em CPUs da fabricante desde a última leva de processadores: a plataforma Intel Evo.

Essa é uma parceria da marca com OEMs, ou seja, empresas parceiras que utilizam seus chips em laptops, e que promete otimizar as máquinas para entregar maior tempo de bateria e aumentar a performance dos computadores (o que seria ainda mais garantido com os componentes mais novos).

"Em sistemas gamer, com gráficos de alta potência, alta taxa de quadros, entre outras características, consumo de energia é uma preocupação. Eles geralmente são construídos para uso na tomada, mas a autonomia deve ser semelhante à de modelos de 11ª geração, mas com grande aumento de performance [até 80% com a 12ª geração]."

Já sobre o outro ponto importante para notebooks, os chips HX não devem ficar à frente de outras linhas já disponibilizadas pela Intel anteriormente. Ainda assim, a promessa é de um design relativamente fino, com 20 a 21 mm de espessura, algo interessante frente a gerações anteriores. A questão aqui, segundo Dan, é equilibrar a capacidade entregue por modelos com processadores do tipo, e o tamanho menor, mas que não chega a ser o fator de atenção dessa linha.

Novos chips da Intel possibilitam design fino — Foto: Yuri Hildebrand/TechTudo

Reformulação foi essencial

Os modelos de 12ª geração chegaram ao mercado em um momento curioso. Além da rival AMD, que costuma ter boa fama entre os gamers e, por fabricar GPUs, "fecha" sistemas junto a marcas parceiras, a Apple também tem agradado os usuários com seus chips Silicon de fabricação própria. MacBooks com M1 ou suas versões mais recentes Pro e Max prometem alto desempenho para diferentes tipos de uso, com tecnologias que integram basicamente toda a plataforma de hardware e software.

Dessa forma, a Intel precisou renovar alguns processos para continuar batendo de frente com suas rivais. De acordo com Dan Rogers, um ponto importante foi a leitura de que era necessário retroceder um pouco para avançar nas tecnologias oferecidas.

"O caminho para ser competitivo é construir bons produtos, e, na 12ª geração, nós não queríamos apenas incrementar o que já existia, e sim entregar um avanço real. Para isso, voltamos à arquitetura, concepção, e dissemos 'OK, para quebrar as barreiras da computação tanto em notebooks quanto em desktops, precisamos mudar para uma pegada totalmente diferente de arquitetura'"

Assim, a marca chegou ao Performance Hybrid Architecture Design (design de arquitetura híbrida focado em performance, em tradução literal). A proposta é, justamente, entregar chips pequenos, com processo de fabricação que priorize performance, mas não deixe de lado o tipo de sistema que irá integrar.

Além disso, Dan citou a necessidade de suporte via software, que, segundo ele, "é o verdadeiro ponto de partida para entregar um modelo híbrido de alta performance com sucesso". Ele destacou ainda parceria com a Microsoft, que permite o uso da tecnologia Thread Director. Como seu nome indica, o recurso direciona as linhas de execução para os tipos certos de trabalho, algo importante para sistemas com muitas threads disponíveis.

"Isso tem sido um diferencial e o resultado é uma performance incrível na 12ª geração, mas também define um ponto de partida para uma trajetória de inovação contínua, em que a gente consegue construir um núcleo de desempenho otimizado para single-thread, assim como medir performance multi-thread pelos núcleos de eficiência. Estamos bem animados com o momento atual e o futuro é brilhante."

Portanto, a nova geração de processadores da Intel tem como principal diferencial o desempenho, que, de acordo com Dan, é até 80% superior em relação aos seus antecessores, sendo inclusive um dos maiores avanços da marca nos últimos anos. Além disso, ele destaca as tecnologias presentes, sobretudo em conectividade, como PCIe 5.0, suporte a DDR5, Thunderbolt 4.0 e Wi-Fi 6E, entre outras. "É o que há de melhor no mercado de tecnologia, e o que será a base do PC nos próximos anos, mas disponível desde já", conclui.

*O jornalista viajou a convite da Intel.

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